sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Quimera

A tua perigosa honestidade que me deixa atónito, as mentiras que te pedi para me dizeres tudo faz sentido na rua que percorremos.

Vem depressa amor, não olhes para trás envolve-me nas estrelas azuis quando a tarde deixa de existir.

Penteias os cabelos, olho-te com saudades do amanhã do dia em que me deixas solto por umas horas, em que me libertas do teu olhar. Sinto saudades.
Para onde vais quando me deixas? Quero seguir-te, quero ser atrevido contigo na rua e tocar-te com intenção sem dares por isso.

Quero fazer parte do ar que respiras, quero que abuses dos teus sentimentos, que me faças sentir o arder angustiante de uma paixão desmedida sem que nada faça sentido. Desejo esse sofrimento que me faz sentir cada dia mais vivo.

Percebes a obsessão de um amor cru sem sentido? Percebes a obsessão de quem sofre por mais um toque, por mais um minuto passado num quarto limitado por quatro paredes, em que tudo ali faz sentido menos a porta de saída?

Torna-me os dias perfeitos, em que passeamos numas ruelas inundadas de uma sangria qualquer, inventadas na quietude da nossa sala deitados num tapete enquanto ouvimos uma música qualquer e prometemos algo que ambos sabemos que nunca iremos cumprir. Mente-me mais esta vez, eu mereço-o e rogo-te para tal.

Faz com que as nossas palavras façam sentido neste segundo de uma manhã que parece passar mais depressa que os nossos desejos.
Deseja-me apenas uma ínfima parte do meu desejo por ti, serei feliz pelo que isso significa e por tudo o que me trará.

Todas as traições ficaram para trás, todos os maus entendidos foram esquecidos, apenas o desejo de mais ficou, apenas o desejo de ti ficou. A perdição de uma cegueira sem fim que me levou a um inferno que me quis guardar de meu livre grado, tudo isso foi uma mais valia do que passámos os dois.

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